Death Note da Netflix merecia um prêmio… de tão ruim

Aviso: este texto é informal (porém necessário).

Death Note, para quem ainda não sabe, é uma das histórias mais populares da cultura pop, criada por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, foi inicialmente desenvolvida no formato de mangá, e como é muito comum quando um mangá faz sucesso, acabou virando anime. Mas Death Note foi além.

Não bastando apenas as plataformas mangá/anime, Death Note também ganhou um live action com direito a continuação em 2006, e um dorama (mini séries japonesas), transmitido em 2015. 

111849300_o
Live action de 2006

A popular narrativa conta a história de Light/Kira, que acabou encontrando por acaso um caderno cheio de regras. Após encontrar esse caderno, ele descobre que quando você escreve o nome de determinada pessoa, depois de 40 segundos, ela morre de ataque cardíaco – a não ser que você especifique a causa da morte. Como se isso não fosse informação o suficiente, Light recebe a visita de um Shinigami (um deus da morte) que estava entendiado e resolveu “brincar”.

Sendo assim, num período tão escasso de criatividade, era obvio que Hollywood iria se apoderar dos direitos da história, afinal, a América PRECISA fazer sua versão de bons roteiros.

Assim que foi anunciado a versão americana de Death Note, todo um furdunço começou, afinal algo com origens tão japonesas poderia dar certo? Bom, não deu.

Nos primeiros SEGUNDOS de filme, já podemos notar uma forte sensação de auto-afirmação americana, com esteriótipos a cada frame – líderes de torcida, ônibus amarelo, futebol americano, o que dá indícios de ser um filme bem colegial. E é quase isso.

O filme tem 1h e 40 minutos de duração, um tempo relativamente curto para uma história tão complexa, e obviamente o resultado foi catastrófico: um trabalho acelerado, onde tudo acontece ridiculamente rápido, deixando de fora momentos importantíssimos, explicações necessárias – afinal, mesmo sendo uma adaptação, para muitos esse foi o primeiro contato com Death Note -, passando a impressão de um roteiro preguiçoso.

Death-Note-Série-Live-Action-Episódio-4-8-L-Light-Faculdade
Dorama, de 2015

São muitas as falhas desse Death Note, é difícil escolher entre a fotografia clichê, torta, ou entre a trilha sonora horrorosa, sem nexo, e inapropriada, atores fraquíssimos que não conseguiram passar nenhuma emoção, a transição amadora, mas talvez, realmente, nada supere o roteiro. No geral, parece ser uma produção bem amadora, como um trabalho de um recém formado na faculdade de cinema, ou um aspirante a diretor brincando com a câmera e alguns recursos de edição.

Tudo bem, é uma adaptação, uma nova versão, e é natural que hajam algumas diferenças, mas isso não consegue aliviar a verdade: Death Note, da Netflix, é perdido, trash.

 

Pense bem: Light é um garoto que acabou de descobrir ter o poder de um deus nas mãos e ele não expressa emoção nenhuma. Ele acaba de conhecer um Shinigami e não expressa sentimento algum (além daqueles gritinhos cômicos, que depois de 2 segundos, ele já aceitou a situação). Ele está sendo procurado pela polícia, mas isso não o impede de dividir seu segredo com a garota que está interessado – que também reage muito bem a situação – e nem de conversarem sobre isso pelos corredores da escola.

death-note-bluray-screenshot1-1-1050x596

O Shinigami, por sua vez, induz Light o tempo todo a matar (ele não pode interferir no mundo humano, do contrário, ele morreria), e se comporta como um ratinho: o Light joga uma maçã e ele aparece.

L, um dos melhores personagens já inventados, que deveria ser um gênio, na verdade se mostrou totalmente sem personalidade, parecendo mais uma criança mimada do que um detetive brilhante. Dois pontos foram cruciais para a formação de um péssimo L: 1) O personagem é originalmente britânico, mas o ator sequer tentou dar uma suavizada em seu sotaque americano fortíssimo – ator fraquíssimo, por sinal; e 2) Uma das características de L era sua auto preservação, o L mostrar seu rosto em público foi algo totalmente sem nexo. O fato de L ser sedentário e ter cenas de ação também não contou muitos pontos.

death_note.0

O Kira original mata com propósito: ele mata assassinos, estupradores, ele mata por justiça; conforme o desejo por sua preservação vai aumentando, sua mente começa a ficar cada vez mais perturbada, e aí sim, ele começa a matar inocentes. E as mortes fazem “sentido”, são causas naturais, suicídios, acidentes. Já o Kira da Netflix, mata por matar, por vingancinha adolescente, mata inocentes a rodo, e o que poderia ter sido a grande sacada: todas as mortes são acidentais, o que seria útil para não levantar suspeitas, são IRREAIS. [SPOILER] É impossível que o garoto da escola tenha sido decapitado, ele no máximo quebraria o pescoço e teria ferimentos graves, assim como a morte do homem que foi atropelado, o corpo dele se partiu ao meio! Aonde isso aconteceria? [SPOILER].

Death Note
Filme da Netflix, de 2017

Todas as mortes dão um sentido pastelão ao filme, fazendo lembrar bastante da franquia de terror Premonição. E POR QUE ele teve que ASSINAR depois de matar? Ninguém estava desconfiando de nada!

Como se todos esses pontos não fossem o suficiente, temos a cereja do bolo: Death Note é nada mais do que um duelo entre mentes brilhantes, de Kira e L. Ambos são geniais, calculistas, e em alguns fatores, são iguais. Já com o Death Note da Netflix, ambos são, com o perdão da palavra, burros. Sim, chulos. Kira é controlado por Mia o tempo inteiro, ela parece ser a portadora do caderno, ela manda e desmanda nele, como se ele fosse capacho dela, e L é incapaz de pensar sozinho.

Como era de se esperar, o clímax acontece, é claro, durante o baile de inverno da escola.

 

Pois é, Netflix. Errou feio, errou rude.

 

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s