“Arquivo X” – Você precisa acreditar

Se você é daquele tipo de pessoa que tem curiosidade por conspirações, paranoias e eventos paranormais, mas ainda não conhece “Arquivo X”, aqui vai uma  resenha da série que se tornou famosa na década de 90 e retornou este ano com uma temporada inédita e um tema ainda mais intrigante, mas isso é assunto para um outro post… Vamos à série.

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Idealizada por Chris Carter, “Arquivo X” teve sua estreia em 1993 e ficou famosa pelos bordões “Eu quero Acreditar”, “A Verdade está lá fora”, e “Não confie em ninguém”, além de sua abertura única e com um fundo musical inconfundível. “Arquivo X” quebra a barreira entre o físico, o mental e o espiritual, despertando nos fãs um senso crítico e questionador, ensinando-os a perguntar “os porquês” daquilo que conhecem e daquilo que desconfiam, abrindo-lhes a mente para aquilo que nem se quer imaginam. Apesar de extenso este texto é bem superficial e não expressa todas as qualidades da série e todo o conhecimento que ela transmite , seja nos campos da ciência ou mesmo em questões complexas que estão além da compreensão humana…

A trama gira em torno de Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson), uma dupla de investigadores do FBI designados ao departamento de arquivos x, uma divisão da agência federal responsável por casos sem solução, como experiências genéticas, clonagens, ocultismo, possessões, bruxaria, seitas religiosas, aberrações da natureza, controle mental, criaturas desconhecidas, doenças criadas em laboratórios, e como tema central: abduções alienígenas, além de tantas outras abordagens. Porém, não se engane, apesar do suspense e das investigações, o tom da série contém humor e descontração na medida certa.

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Vida extraterrestre: realidade ou ficção?

Scully é formada em medicina, mas escolheu seguir carreira no FBI, onde conhece Mulder, um investigador obcecado por eventos paranormais, principalmente por abduções alienígenas, desde o desaparecimento de sua irmã,  quem ele acredita ter sido abduzida. Foi essa a maior motivação que o levou a trabalhar no FBI.

Por causa de suas crenças, Mulder tem fama de paranoico, acreditando fielmente em suas próprias teorias. Scully é cética e procura sempre por uma resposta que possa ser comprovada pela ciência, e é exatamente por isso que ela é enviada à divisão, para investigar e espionar os arquivos x. Ao longo dos episódios a dualidade entre os dois é bastante esclarecida, um dos pontos mais interessantes a serem acompanhados na primeira temporada, criando uma identidade pela qual os espectadores podem se identificar, tanto com Mulder quanto com Scully. Mulder está sempre determinado a conseguir conclusões que apoiem suas suspeitas, e isso acaba convencendo Scully de que ele não é tão paranoico como todos presumem.

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A cética e o crédulo, representando o embate ideológico

Enquanto investigam centenas de casos, Mulder e Scully começam a criar um vínculo de confiança e tornam-se muito próximos, daí nasce uma expectativa por parte dos fãs: “Será que eles continuam apenas como parceiros e bons amigos ou seu relacionamento se aprofunda em um romance?” É muito divertido permanecer com essa dúvida e acompanhar a evolução dos personagens e suas características físicas e emocionais ao longo dos anos.

Além do casal protagonista, são introduzidos importantes personagens interligados com as principais tramas da série, como a mitologia alienígena, os planos de um sindicato secreto para a colonização extraterrestre na Terra e a conspiração governamental para esconder a verdade da população. Entre esses personagens estão Walter Skinner (Mitch Pileggi), diretor assistente do FBI, que no início desaprova os métodos particulares de Mulder durante as investigações, mas vai se mostrando um forte aliado da dupla ao notar que o sistema não é de confiança. Alguns informantes de índole duvidosa também vão surgindo aos poucos e suas suspeitas aparições sempre deixam os protagonistas em situações perigosas, e é aí que um dos bordões da série se faz presente: “Não confie em ninguém!”

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Frohike, Byers e Langly

Em adição ao grupo, surge ainda um trio de nerds paranoicos conhecidos como “Os Pistoleiros Solitários”, que participam da série de forma recorrente, ajudando Mulder e Scully em alguns casos, geralmente envolvendo artifícios tecnológicos. Mesmo correndo grande perigo, estão sempre dispostos a ajudar seus amigos. O trio é formado por Byers (Bruce Harwood), Frohike (Tom Braidwood) e Langly (Dean Haglund), cada um com suas especialidades e características distintas, mas com atributos em comum: a inteligência e a lealdade. Os episódios em que eles participam são sempre divertidos e imprevisíveis, trazendo um tom cômico ao enredo da série.

O principal antagonista é interpretado por William B. Davis, dando vida a um misterioso homem que aparece sempre fumando seus cigarros Morley, por isso é apelidado de Canceroso, já que ninguém conhece seu nome nem sua história. Possuindo grande influência no Sindicato de colonização, na CIA e até mesmo no FBI, o Canceroso mostra-se um rival muito perigoso e enigmático, e sua presença ganha cada vez mais importância. Seu papel é muitas vezes confuso e, por causa de sua personalidade ambígua, o espectador nunca sabe se ele é, de fato, o que aparenta ser ou o que ele quer representar, mas, certamente, fica evidente que é ele quem “escreve” a história da humanidade, como visto em um episódio em que o Sindicato decide até mesmo quem vai ganhar um Oscar ou qual time de futebol ganhará o campeonato nacional, inclusive a cura para graves doenças está ao alcance de suas mãos para ser aprovada ou não… Uma óbvia referência às sociedades secretas retratadas em algumas teorias da conspiração.

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Krycek: um mero peão no jogo do Canceroso

Outro personagem igualmente enigmático é Alex Krycek (Nicholas Lea), um novo agente do FBI, sempre disposto a ajudar Mulder. Compartilhando de suas crenças, Krycek logo ganha a confiança de Mulder, mas sua intenção é separá-lo de Scully para pôr um fim nos arquivos x, assim, revelando-se um forte aliado do Canceroso. Krycek é o tipo que caminha entre os dois lados, pensando apenas em si mesmo, e está disposto a servir aquele que garantir sua sobrevivência na nova ordem que está por vir. O time de vilões ainda conta com a presença de caçadores de recompensa trabalhando para forças maiores comandadas por entidades ainda mais perigosas e inatingíveis…

Como em toda série longa como essa, é claro que há episódios entediantes e desconexos, que estão ali apenas para preencher espaço, mas são raros. Mesmo os episódios que não fazem parte das tramas principais traziam algo empolgante e inovador para a época em que a série foi exibida.

Em certo momento, a narrativa toma rumos inesperados, novas subtramas são entrelaçadas à principal e novos agentes são integrados à equipe do FBI, como os agentes John Doggett (Robert Patrick) e Monica Reyes (Annabeth Gish). Doggett une-se ao grupo da mesma maneira que Scully: inicialmente designado para investigar o departamento, ele cumpre suas ordens de forma rígida e direta, mas acaba percebendo que estava defendendo uma causa cega contra a verdade. Sua experiência nas investigações faz dele um membro decisivo da divisão de arquivos x. Embora seja de confiança, seu passado é marcado por uma tragédia sem solução, tornando-o cauteloso ao lidar com outras pessoas, mas é claro que esse detalhe é bem desenvolvido ao longo dos episódios.

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Doggett e Reyes surgem em um momento crucial para a série

Reyes integra os arquivos x por intermédio de Doggett, já que ela tem uma espécie de sensibilidade paranormal que a torna essencial em algumas investigações, mas poucos têm conhecimento de suas habilidades, obviamente.  Reyes é uma mulher de personalidade forte, mas ao mesmo tempo mostra-se muito gentil e atenciosa para com aqueles que a cercam.

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A família Peacock, do episódio “Home”, um dos mais perturbadores da série

O desfecho da série vem com a proposta de unir a ponte que vinha sendo construída ao longo dos nove anos em que a produção permaneceu no ar, apresentando elementos familiares aos fãs e desenrolando a mitologia com um epílogo sóbrio e realista, tornando crível toda a narrativa que permeou o imaginário dos espectadores durante tantos anos. Entretanto, as opiniões são divididas ao dizer que a série ganhou um final merecido… Por isso a 10ª temporada está aí, para mudar conclusões.

Foram 9 temporadas acompanhando “Arquivo X”, e é impossível não se contagiar com cada um dos personagens e seus conflitos, com cada história apresentada, com cada busca por respostas e soluções, e você aprende que nem todo monstro quer ser um monstro… Tenho certeza de que, ao terminar esta trajetória, você vai sentir falta de tudo isso. Mesmo após seu fim, as referências e a influência de “Arquivo X” na cultura pop continuaram tão fortes através dos anos que inspirou séries como “Fringe”, “Supernatural” e “Sleepy Hollow”, além de tantas outras produções, tornando-se um clássico da Fox e um marco na história da televisão.

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Onde tudo começou…

“Eu quero acreditar! A verdade está lá fora e quer vir à tona, mas existem forças superiores que fazem de tudo para escondê-la. Não confie em ninguém!”

Quer ver uma análise das suas séries e filmes preferidos aqui? Não se esqueça de deixar um comentário.

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2 comentários em ““Arquivo X” – Você precisa acreditar

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